Do total de brasileiros aprovados para receber o Auxílio Emergencial, 5,2 milhões são microempreendedores individuais (MEIs), segundo levantamento do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). Esse número corresponde a quase metade dos 10,7 milhões de trabalhadores registrados no país atualmente nesta categoria.

O número superou a estimativa inicial do Sebrae, que em abril avaliava que 3,6 milhões de MEIs deveriam se enquadrar nos critérios para receber a ajuda de ao menos R$ 600 do governo, e revela também o impacto da pandemia na renda dos trabalhadores que atuam como autônomos ou no chamado “empreendedorismo por necessidade”.

Segundo o Sebrae, além dos 5,2 milhões que tiveram acesso ao Auxílio Emergencial, outros 1,3 milhão tentaram, mas tiveram o pedido negado por não atender alguma das regras fixadas pelo governo, como por exemplo ter renda familiar superior ao limite legal, algum vínculo empregatício ou estar recebendo algum outro benefício.

Pesquisa realizada pelo Sebrae no início da pandemia mostrou que 63,8% dos MEIs interromperam as atividades temporariamente em razão da pandemia, o maior percentual entre as empresas de pequeno porte.

Para o Sebrae, o aumento do desemprego e o crescimento do número de novos registros de MEI também ajudam a explicar o número elevado de microempreendedores no Auxílio Emergencial.

Nos últimos cinco meses houve um crescimento expressivo do número de brasileiros que buscaram formalizar os negócios e virar MEI. Entre 31 de março e 5 de setembro, foram feitos 815,9 mil novos registros de microempreendedores no país, segundo os dados oficiais. No final de 2019, eram 9,4 milhões de MEIs registrados no país.

O MEI é um regime tributário simplificado criado para incentivar e facilitar a formalização de pequenos negócios e de trabalhadores autônomos, como vendedores, manicures, cabeleireiros e prestadores de serviços autônomos. O programa completou 11 anos em 2020.

Segundo o Sebrae, o MEI é uma boa alternativa para quem está conseguindo manter exercer alguma atividade profissional neste período de pandemia, pois além da formalização do negócio e da possibilidade de ter CNPJ, permite emitir nota fiscal, obter empréstimos com taxas menores, além de acesso a direitos e benefícios previdenciários.

O presidente do Sebrae reconhece, entretanto, que as pessoas que entram no MEI em razão do desemprego e sem planejamento correm mais risco de atravessar problemas na administração do negócio no futuro, e lembra que o Sebrae disponibiliza uma página totalmente dedicada aos microempreendedores individuais, com e-books, vídeos, cursos e dicas de gestão.

Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2020/09/10/metade-dos-microempreendedores-esta-recebendo-auxilio-emergencial-diz-sebrae.ghtml